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Um dos momentos mais especiais do calendário do enoturismo, quando produtores e apaixonados pelo universo do vinho celebram a natureza, a cultura agrícola e o ciclo que dá origem ao vinho é a festa da Vindimia.

Tradicionalmente associada à colheita das uvas que serão transformadas em vinho, a vindima é um momento festivo que celebra o ciclo da viticultura — da parreira ao copo. Esse evento combina vivência no campo, aprendizado sobre o cultivo e produção de vinhos e experiências sensoriais, aproximando o público do  vinho e da cultura rural.

A data na que costuma ocorrer são nos meses mais quentes ou de maturação ideal dos cachos; na Região Metropolitana de Curitiba, começaram em 31 de janeiro e vão até março. Durante esse período, o público pode participar da retirada das uvas diretamente no parreiral, uma forma de vivenciar, na prática, esse momento único da vitivinicultura.

Por que vale a pena 

Essa celebração da vindima representa mais do que um evento de campo: é um convite para entender a origem do vinho, vivenciar tradições agrícolas, conectar-se com a natureza e com a cultura local, e transformar o turismo em uma experiência prática e sensorial. 

A pisa das uvas é um método ancestral de vinificação, realizado durante a vindoura, onde uvas são esmagadas com os pés descalços em tanques chamados lagares

Para moradores da região e visitantes, participar da vindima é uma forma de valorizar o produto local e apoiar o fortalecimento do enoturismo no Paraná, que, embora ainda emergente, se consolida como uma alternativa rica em cultura, sabores e histórias a serem degustadas.

Onde participar 

Vinícola Araucária — Vindima com “Colha e Pague”

A tradicional vindima da Vinícola Araucária, em São José dos Pinhais, ocorre de 31 de janeiro a 31 de março de 2026. A experiência permite que os visitantes colham uvas de mesa diretamente nos parreirais por meio do sistema “colha e pague”.

A vinícola funciona diariamente das 9h às 17h e não exige reserva antecipada. Além da colheita das uvas, a vinícola oferece:

  • Visitas guiadas ao cultivo e ao processo de produção de vinhos e espumantes
  • A possibilidade de degustações harmonizadas 
  • Passeios pela natureza, incluindo trilhas, jardins e mirantes que proporcionam contato com a paisagem rural.
  • Almoço em restaurante aconhegante
A jornalista Dulce Rodriguez visitando a Vinícola Araucaria

Vinícola Legado —  experiências imersivas

Em Campo Largo, a Vinícola Legado realiza sua tradicional Festa da Colheita com datas especiais em 31/01, 08/02, 14/02 e 16/02/2026, das 10h às 16h. Neste evento, os participantes colhem uvas viníferas (usadas para fazer vinho) e podem se conectar com a viticultura local em experiências que incluem:

  • Caminhada guiada até os vinhedos;
  • Colheita de uvas em meio às parreiras;
  • Degustação de vinhos e espumantes diretamente no vinhedo;
  • Música ao vivo e picnic gourmet em meio à natureza;
  • Almoço opcional e momentos de relaxamento em áreas sombreadas com Winebar e áreas de picnic.

A Festa da Colheita da Legado — eleita duas vezes entre as melhores experiências de enoturismo do Paraná — combina aprendizado sobre o cultivo com gastronomia, boa música e contato com a natureza rural.

Festa da Uva em Santa Felicidade 

Paralelamente às vindimas, Curitiba celebra uma das tradições mais queridas ligadas à uva: a Festa da Uva de Santa Felicidade, realizada anualmente no Bosque São Cristóvão, em Santa Felicidade.

Em 2026, a 66ª edição acontece de 6 a 8 de fevereiro, com entrada a partir de R$ 12,00 (crianças e idosos têm isenção) e estacionamento disponível.

A festa reúne gastronomia típica italiana, como polenta, frango, macarrão, risoto e, claro, produtos à base de uva e vinho colonial, além de apresentações folclóricas, música ao vivo, dança, artesanato e atividades culturais para toda a família.

A Festa da Uva em Santa Felicidade

Por que participar

Participar da vindima ou das festas da uva na região é mais que um passeio — é uma oportunidade de aprender sobre a viticultura paranaense, vivenciar a colheita e fortalecer vínculos com a natureza e a cultura local.

Esses eventos unem turismo, tradição, agricultura e gastronomia, oferecendo ao visitante uma imersão completa no universo da uva e do vinho, desde a colheita até a festa comunitária. São momentos ideais para famílias, grupos de amigos ou viajantes que desejam viver experiências autênticas e sensoriais no território paranaense.

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Caminho do vinho: turismo rural, renda e tradições https://www.focandonopositivo.com.br/caminho-do-vinho-turismo-rural-renda-e-tradicoes/ https://www.focandonopositivo.com.br/caminho-do-vinho-turismo-rural-renda-e-tradicoes/#respond Sun, 14 Jan 2024 22:51:06 +0000 https://www.focandonopositivo.com.br/?p=5647 O turismo rural, além de proporcionar novas fontes de renda aos produtores rurais, tem um propósito implícito de valor inestimável: o resgate das tradições culturais locais. No cenário pitoresco do Caminho do Vinho em São José dos Pinhais, Paraná, essa missão ganha vida, narrando a saga de famílias italianas que, desde inícios do século XX, […]

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O turismo rural, além de proporcionar novas fontes de renda aos produtores rurais, tem um propósito implícito de valor inestimável: o resgate das tradições culturais locais.

No cenário pitoresco do Caminho do Vinho em São José dos Pinhais, Paraná, essa missão ganha vida, narrando a saga de famílias italianas que, desde inícios do século XX, desembarcaram em terras brasileiras e moldaram o cotidiano da região com árduo trabalho de adaptação e preservação de suas tradições.

A guia de turismo e sommelier, Rosana, descendente ítalo-polaca, compartilha a história de seus antepassados, enfatizando que “não se tinha nada”. Construir, plantar e criar animais eram não apenas meios de subsistência, mas rituais que permeavam o dia a dia, transmitindo-se de geração em geração.

Hoje, descendentes desses guerreiros italianos dedicam-se apaixonadamente à preservação da tradição da produção artesanal de vinho, comidas típicas, artesanato e folclore.

O Bus tour

O roteiro de turismo rural, conhecido como Caminho do Vinho, foi identificado como uma jóia turística em 1998, durante o Plano de Desenvolvimento Turístico de São José dos Pinhais.

A partir do emblemático Shopping Estação, os visitantes embarcam em um ônibus temático, guiados pela Rosana apaixonada pelo turismo rural e vinhos. O trajeto, repleto de paisagens exuberantes, cria o pano de fundo para a imersão na história de italianos e poloneses na região.

O Caminho do Vinho, Colônia Mergulhão, abriga atualmente 34 propriedades rurais envolvidas em diversas atividades, desde vinícolas até restaurantes, chácaras de eventos, minhocário, pesque-pague, pousadas e artesanato.

Essas propriedades preservam edificações típicas da colonização italiana, consideradas de valor histórico e ainda utilizadas como residências de famílias tradicionais, como Bortolan, Hungaro, Daldin, Juliatto e Pissaia.

Cada parada ao longo do caminho revela uma faceta única da cultura italiana.

Politano

Na vinícola Politano, a tradição da produção de vinhos é compartilhada com detalhes, desde as parreiras que produzem uvas até o processo produtivo, com degustação incluída.

Rosana disse que David Pissaia começou sua produção de vinhos na Colônia Mergulhão só para conhecidos, em 1958. Passando a tradição de produzir vinhos a Dirceu que assinou a seus filhos Diogo e Rochelle, ela cursou enologia em Bento Gonçalves-RS e vem acrescentando ainda mais experiência aos rótulos da família.

Na propriedade conseguimos ver parreiras que ainda produzem uvas. Explicou que a região hoje não é muito propícia ao plantio por problemas como clima e a praga filoxera. Por isso a maioria da uva para seus vinhos vem de Bituruna PR e Caxias do Sul RS.

A capacidade da vinícola é de 35 mil litros de vinhos, Bordo e Niágara no vinho de mesa e a linha Ipê de vinhos finos em menor escala.

Além disso, apresentou a Salumeria Politano. Disse que são a primeira agroindústria familiar de embutidos a adquirir o registro em São José dos Pinhais PR.

Ao longo do tempo, Dirceu Pissaia inovou o produto e criou o salame de pernil temperado com vinho nas versões tradicional, com azeitona, queijo e pimenta calabresa. Entre as linguiças, destaca-se a com tempero acentuado no alho.

Os visitantes nos deliciamos com os diferentes tipos de salame.

Os Juliatto

Seguidamente passamos a conhecer a vinícola da família Juliatto que há mais de 100 anos, produz vinhos na Colônia Mergulhão. Vinda da região de Veneto, na Itália, os irmãos Paulo, Luciano e Ernesto Juliatto continuaram com a tradição e passaram para seus filhos, que, hoje administram a vinícola.

Os vinhos dos Irmãos Juliatto, que ficam na casa 3797, são produzidos com uvas da Serra Gaúcha.

A vinícola tem um grande barril de vinho e uma carroça, parada obrigatória dos turistas para registrar com fotos a passagem pelo Caminho do Vinho.

Os Vinhos do Italiano

Outra parada foi nos Vinhos do Italiano. Vindo da Sicilia, na Itália, Mario Belino passou a tradição de produzir vinhos e a administração da vinícola para seus três filhos, que estão à frente das quatro lojas da família.

Há 20 anos, a família produz vinhos com a uva produzida no Parreiral Bellino, dentro de uma fazenda em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. 

Vô Vito

Desde 1877, compartilha a arte da produção caseira de vinhos tinto e branco, proporcionando uma experiência autêntica.

A vinícola produz vinhos tinto (Bordô) e vinhos branco (Niágara), nas opções seco e suave.  Além dos vinhos, o espaço oferece produtos coloniais, como queijos, salames e doces em conserva.

Morangos

Para quem busca o contato com a natureza, produtos naturais e saudáveis, está: Só Morangos Colha e Pague.

Na entrada do plantio a pessoa recebe uma caixinha para fazer a colheita dos morangos. Cada adulto deve colher pelo menos 700 gramas de morango e pode experimentar até 2 morangos. Já as crianças de zero a 4 anos podem acompanhar adultos de forma gratuita e crianças de 5 a 9 anos devem colher pelo menos 300 gramas de morango.

O cliente também pode comprar caixinhas de 1kg ou 500 gramas de morango direto na loja.

O empreendimento vende geleias de morango, suspiro e espetinho de morango com chocolate e outros derivados da fruta.

Também existe a possibilidade de degustar morangos à vontade, por um preço fixo.

De outubro a março os clientes podem fazer colheita de terça a domingo.

De abril a setembro, devido ao clima, pode abrir aos fins de semana, dependendo da quantidade de morangos na estufa.

Nesse roteiro encantador, o turismo rural não é apenas uma jornada, mas uma celebração vibrante da cultura italiana, onde cada parada é uma oportunidade de se perder na riqueza histórica e culinária que permeia essas terras abençoadas.

O Caminho do Vinho não é apenas um trajeto; é uma viagem ao coração da tradição italiana, uma experiência que enche os sentidos e alimenta a alma.

Fotos: Dulce Maria Rodriguez e Caminho do vinho

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