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A digitalização da gestão hídrica deixou de ser tendência para se tornar realidade indispensável no setor industrial. Mais do que reduzir custos, ela posiciona a água como um ativo estratégico, diretamente ligado à sustentabilidade, eficiência operacional e competitividade.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 36% dos municípios brasileiros já convivem com algum grau de escassez hídrica. Esse cenário impacta diretamente a produção industrial, que enfrenta também a alta contínua no custo da água tratada. Apenas em São Paulo, em 2024, foram registradas cerca de 260 autuações por uso irregular de água, de acordo com a CETESB.

Da escassez ao diferencial competitivo

A tecnologia aplicada à gestão da água está mudando o cenário. Por meio de sensores inteligentes, dashboards de monitoramento e manutenção preventiva baseada em dados, empresas já conseguem transformar riscos invisíveis em ganhos mensuráveis.

A Engeper Ambiental, referência no setor, tem desenvolvido planos integrados de monitoramento hídrico para a indústria, gerando reduções expressivas nos custos operacionais.

Foto: Engeper Ambiental

“Estamos falando de transformar um problema invisível em vantagem competitiva. Quando a água é monitorada com precisão, ela deixa de ser apenas um recurso e passa a ser um ativo de valor, com impacto direto nos indicadores ESG”, explica Lorena Zapata, diretora de novos negócios e sustentabilidade da Engeper.

Tecnologia que gera eficiência e sustentabilidade

A transformação digital da indústria já alcança equipamentos essenciais, como medidores de pH, condutividade, vazão e energia, hoje mais acessíveis e integráveis em sistemas digitais. Com a telemetria, o desperdício silencioso dá lugar a uma gestão preditiva, que antecipa falhas e maximiza resultados

Um exemplo marcante vem de um projeto conduzido pela Engeper: após intervenção em um poço profundo, a vazão aumentou de 100 para 238 m³ por hora — um salto de 138% em eficiência, reduzindo custos energéticos e garantindo estabilidade na produção.

ESG e futuro da indústria

Investir em gestão hídrica digital já não é apenas uma inovação, mas um critério de sobrevivência para empresas que querem se manter competitivas em um mercado cada vez mais regulado e sustentável.

Foto: divulgação

“Esse tipo de investimento protege o presente da operação e prepara a empresa para o futuro. Sustentabilidade não é mais um diferencial, é critério de sobrevivência”, conclui Lorena Zapata.

A capacidade de adaptar-se rapidamente a novas exigências ambientais e regulatórias é um diferencial estratégico. Em um mercado cada vez mais exigente e competitivo, onde sustentabilidade e eficiência são elementos essenciais,  soluções integradas emergem como o caminho mais inteligente para garantir a perenidade e a competitividade das empresas.

Com informação da assessoria

Fotos: Engeper Ambiental

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Construções com soluções “verdes” valorizam até 30% mais https://www.focandonopositivo.com.br/construcoes-com-solucoes-verdes-valorizam-ate-30-mais/ https://www.focandonopositivo.com.br/construcoes-com-solucoes-verdes-valorizam-ate-30-mais/#respond Mon, 27 Jan 2025 19:07:29 +0000 https://www.focandonopositivo.com.br/?p=6724 A conscientização sobre a importância da sustentabilidade está transformando a construção civil. No Brasil, estudos mostram que é crescente a preferência por imóveis que integram soluções “verdes”, impulsionada pela busca por inovação, qualidade e características que minimizem impactos ao meio ambiente enquanto promovem uma melhor qualidade de vida. Imóveis equipados com tecnologias que reduzem o […]

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A conscientização sobre a importância da sustentabilidade está transformando a construção civil. No Brasil, estudos mostram que é crescente a preferência por imóveis que integram soluções “verdes”, impulsionada pela busca por inovação, qualidade e características que minimizem impactos ao meio ambiente enquanto promovem uma melhor qualidade de vida.

Imóveis equipados com tecnologias que reduzem o consumo de energia, aproveitam água de forma eficiente e oferecem conforto térmico podem atingir uma valorização de até 30% a mais em relação aos tradicionais. Além disso, esses imóveis tendem a ser vendidos em menos tempo, destacando a atratividade desse tipo de construção no mercado.

Esses dados são reforçados por análises realizadas pela construtora de luxo Edify One, localizada em Itapema/SC, cidade com o segundo metro quadrado mais valorizado do Brasil. 

Responsabilidade ambiental em alta

Estudo recente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) e da Brain Inteligência Estratégica, realizado no Brasil e divulgado em 2024, revela que 56% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por imóveis que incorporam sistemas de reutilização de água da chuva.

Esses dados refletem uma demanda que busca não apenas a estética e o conforto, mas também a responsabilidade ambiental em suas escolhas de investimento, além de rentabilidade.

O empreendimento de Itapema, o Edify One, em fase de construção, é exemplo, a começar pelo paisagismo e arquitetura focados em integração com a praia e às paisagens naturais, além de sistemas construtivos eficientes. 

Muitas pessoas preferem pagar mais por imóveis que tragam soluções “verdes”. Foto: Edify One

Localizado à beira-mar, o edifício, além de se tornar um marco arquitetônico para a região, com seu design futurista cercado por vidros que ampliam a luminosidade natural, traz práticas como o reaproveitamento de água da chuva e soluções inteligentes como o sistema de fachada ventilada.

“O sistema é composto por uma camada de materiais que cria um espaço de ventilação entre a parede interna e a externa. Isso permite que o ar circule naturalmente, reduzindo a temperatura interna e, consequentemente, diminuindo a necessidade de ar-condicionado. Como resultado, os moradores desfrutam de um ambiente mais confortável, o que impacta na qualidade de vida e menor consumo de energia, além de redução das contas de serviços públicos”, explica Manoela Passos Legarrea, diretora e sócia da construtora Edify.

Mercado de materiais sustentáveis crescerá 12,73%

Globalmente, a tendência é robusta. Pesquisas indicam que o mercado de materiais de construção sustentáveis deverá crescer a uma taxa composta anual (CAGR) de mais de 12,73% entre 2024 e 2033, segundo dados da norte-americana Precedence Research.

O aumento acelerado da conscientização sobre as questões ambientais, a preferência dos consumidores por edifícios sustentáveis e os avanços tecnológicos, que tornam as soluções verdes mais acessíveis, são fatores que justificam o crescimento.

O sistema de fachada ventilada confere um visual elegante ao edifício e eficiência energética

A legislação, em termos globais, também desempenha um papel importante nesse cenário com normas que incluem práticas “verdes” e, em alguns casos, gerando facilidades na aquisição ou no financiamento de equipamentos do gênero. 

“Práticas sustentáveis são prioridades aliadas ao luxo, conforto, inovações em design, tecnologia e sofisticação. O Edify One é um claro exemplo de como a integração de todos esses elementos agrega valor ao empreendimento”, conclui Manoela.

Com informação da assessoria

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Água engarrafada tem prazo de validade https://www.focandonopositivo.com.br/agua-engarrafada-tem-prazo-de-validade/ https://www.focandonopositivo.com.br/agua-engarrafada-tem-prazo-de-validade/#respond Tue, 24 Sep 2024 09:51:24 +0000 https://www.focandonopositivo.com.br/?p=6341 Talvez você nunca tenha reparado no prazo de validade da garrafa de água que consome, seja no restaurante, no mercado, ou aquela comprada no trânsito, no parque ou na praia. Afinal, é estranho pensar que a água, algo tão natural e essencial, tenha um prazo de validade, não é mesmo? Mas sim, tem! Mas por […]

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Talvez você nunca tenha reparado no prazo de validade da garrafa de água que consome, seja no restaurante, no mercado, ou aquela comprada no trânsito, no parque ou na praia. Afinal, é estranho pensar que a água, algo tão natural e essencial, tenha um prazo de validade, não é mesmo? Mas sim, tem!

Mas por que água tem validade?

A água em si não “estraga”. O que acontece é que a validade está mais relacionada à embalagem do que ao próprio líquido. A maioria das águas engarrafadas vem em recipientes de plástico, geralmente feitos de politereftalato de etileno (PET), e com o tempo, esse material pode liberar substâncias químicas na água. Isso é ainda mais preocupante se a garrafa for exposta ao calor – pense naquelas que ficam horas no porta-malas do carro ou ao sol no parque.

Com o tempo, o plástico pode começar a deteriorar, comprometendo a qualidade da água e até sua segurança para o consumo. Além disso, uma garrafa aberta e consumida ao longo do tempo pode ser um paraíso para bactérias e microrganismos.

Riscos de ignorar o prazo de validade 

Consumir água de uma garrafa fora do prazo de validade pode ter consequências indesejadas. Os principais riscos incluem:

Contaminação por microplásticos

Pequenas partículas do plástico podem se soltar e ser ingeridas, o que, segundo alguns estudos, pode impactar nossa saúde a longo prazo.

Proliferação de bactérias

 Garrafas abertas ou guardadas por muito tempo em ambientes quentes podem se tornar foco de bactérias, aumentando o risco de problemas gastrointestinais.

Alteração no sabor

Já bebeu uma água que tinha um gosto meio esquisito, tipo plástico? Isso acontece quando a garrafa não é armazenada corretamente ou passou da validade. A qualidade e o frescor da água se perdem.

Dicas para um consumo seguro 

1- Cheque sempre o prazo de validade

Pode parecer um detalhe bobo, mas é importante verificar. Esse é o primeiro passo para garantir que a água que você está consumindo está própria para consumo.

2- Prefira garrafas de vidro

 O vidro é uma excelente alternativa ao plástico, pois não libera substâncias nocivas e preserva a qualidade da água por mais tempo.

3- Evite expor a garrafa ao sol

Garrafas de água deixadas ao sol ou em ambientes quentes podem acelerar a deterioração do plástico, comprometendo a qualidade da água.

4- Água fresca sempre

Uma garrafa de água aberta deve ser consumida rapidamente. Evite deixá-la aberta por muito tempo, especialmente em temperaturas altas

5-Considere alternativas sustentáveis

 Hoje em dia, existem soluções mais ecológicas e saudáveis para o consumo de água, como o uso de filtros domésticos e garrafas reutilizáveis de aço inoxidável ou vidro.

Sustentabilidade também é questão de saúde

Além da preocupação com sua saúde, vale lembrar do impacto ambiental. O consumo exagerado de água engarrafada gera um volume enorme de plástico descartado.

Dados da ONU indicam que mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos, sendo muitas dessas garrafas de uso único.

Então, da próxima vez que for comprar aquela garrafinha d’água no sinal, no restaurante ou na praia, pense duas vezes. Sua saúde – e o meio ambiente – agradecem!

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Vídeo: Kevin Yau , Pexels

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Amazonas: o desafio de morar no Rio Negro https://www.focandonopositivo.com.br/amazonas-o-desafio-de-morar-no-rio-negro/ https://www.focandonopositivo.com.br/amazonas-o-desafio-de-morar-no-rio-negro/#respond Sat, 28 May 2022 23:42:04 +0000 https://www.focandonopositivo.com.br/?p=1999 Com saudade do Rio Negro de antigamente, Daria de Sousa, de 79 anos, olha pela varanda da sua casa palafita. “Aquelas águas eram limpinhas, eu costumava lavar as roupas, tomar banho, nadar com a minha família e passear de canoa”, conta. Na rua Universal, 192, do bairro Educandos, em Manaus, capital do estado do Amazonas, […]

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Com saudade do Rio Negro de antigamente, Daria de Sousa, de 79 anos, olha pela varanda da sua casa palafita. “Aquelas águas eram limpinhas, eu costumava lavar as roupas, tomar banho, nadar com a minha família e passear de canoa”, conta.

Na rua Universal, 192, do bairro Educandos, em Manaus, capital do estado do Amazonas, ela mora desde que nasceu. Na década de 1940, aquela região foi palco de momentos felizes de sua infância, que estão guardados na sua memória e nem de longe parecem com o cenário que se vê hoje.

Ela se casou e criou seus 18 filhos nessa casa erguida em estacas de madeira sobre o rio Negro. Nas paredes da sala, Daria, viúva há seis meses, exibe orgulhosa as fotos da sua numerosa família, sendo que dez membros moram ainda com ela.

Daria lembra de seus tempos de moça quando andava de bonde no Largo de São Sebastião, no Centro da cidade, e seus olhos brilham. “A gente se reunia no final da tarde e, muitas vezes, até de manhã cedo para tomar banho e assar um peixe na beira do rio. Uma água gostosa. Não tinha esse negócio de lixo na água. São tempos que não voltam mais, agora Manaus não é mais igual, está tudo poluído, se acabando na mão do homem”, avaliou.

Daria de Sousa mora há 79 anos nessa casa palafita no rio Negro onde criou seus 18 filhos. Foto: Dulce Maria Rodriguez

35 toneladas de lixo por dia

Uma das principais características de Manaus é o fato de a capital amazonense ser entrecortada por cursos d’água, os igarapés, que um dia embelezaram a cidade e serviram tanto como fonte de lazer, quanto de alimentação, como bem lembra Daria.

Com a crescente evolução populacional e o avanço desordenado da região urbana da cidade, essa realidade mudou. O descarte incorreto do lixo impacta negativamente a qualidade de vida dos moradores da orla do Educandos, os quais passaram a conviver com o lixo que chega com a água do Rio Negro.

Nesta quinta-feira (27/05), o rio atingiu 29,37 metros – a maior cheia registrada no Amazonas foi a de 2021, quando o rio chegou à cota recorde de 30,02 metros em 16 de junho.

A Prefeitura de Manaus disse que recolhe aproximadamente 35 toneladas de lixo dos rios e igarapés da cidade por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp).  O serviço consiste no recolhimento dos resíduos sólidos da superfície da água e das margens dos igarapés e orlas, além da retirada de vegetação aquática para melhorar o escoamento hídrico, mas, para os ribeirinhos, a frequência da limpeza não é suficiente.

De acordo com o coordenador das balsas da Semulsp, Marlon Chagas, esse tipo de ação é constante, principalmente durante o período de cheia. Ele faz um alerta para que a população colabore. “É o cidadão que joga o lixo, não é o rio que produz.”

A Prefeitura de Manaus por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana fez um apelo para que as pessoas evitem jogar resíduos nos rios e igarapés da cidade. Foto: Semulsp

Amor pelo rio

A Bacia Amazônica possui o seu ciclo natural: de junho a novembro a água desce, a chamada “vazante”, e de dezembro a maio a água sobe, o período da “cheia”.

As cheias são fenômenos naturais extremos e temporários, provocados por precipitações repentinas e de elevada intensidade que acontecem todos os anos na região.

Nesta semana, conforme dados da Defesa Civil, dos 62 municípios do estado, 35 estão em “situação de emergência” devido à cheia dos rios no Amazonas. Outros 23 municípios estão em estado de alerta.

O Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, do qual a Defesa Civil faz parte, aponta que 320.222 pessoas e 80.056 famílias estão sendo afetadas pela cheia. Daria e sua família fazem parte dessa estatística.

 Do estreito corredor da casa palafita de Daria, que antes foi de seus pais, dá para ver o rio poluído repleto de lixo onde qualquer um dos seus netos ou tataranetos poderia cair, até mesmo ela, que está de avançada idade.

Apesar de a moradia não apresentar as mínimas condições sanitárias aos seus usuários, a aposentada agradece a Deus que na sua família ninguém teve uma doença grave. “Temos muitas moscas sim, e todos tomamos água da torneira, porém vivemos tranquilos”, disse com um sorriso.

Daria e sua família convivem com os resíduos e o odor desagradável causado pelo material em descomposição na água do rio. Foto: Dulce Maria Rodriguez

Ela trabalhou para o estado prestando serviços gerais na Escola Estadual Estelita Tapajós até se aposentar e confessa que, de regresso para casa na época da enchente, já encontrou cobras e até jacarés. “Minhas filhas me dizem que já está na hora de sair daqui, mas eu me recuso, não quero. Tenho muito amor pelo rio.”

Foto: Dulce Maria Rodriguez

Inverno Amazônico é assim

Para a dona de casa Fátima Corrêa, 38, vizinha de Daria, o mais difícil de conviver diariamente com o cenário de poluição é o fedor. “No tempo da cheia dá aquela ‘chuvada’ que alaga isso aqui. Sem condição, é só fedor e lama. Perdemos tudo”, afirma.

Materiais como garrafas pet, resíduos domésticos e cadáveres de animais são alguns dos principais tipos de lixo a serem encontrados nos igarapés de Manaus, o que acaba causando diversos transtornos para moradores das proximidades desses locais.

Além das consequências para o meio ambiente, como a alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas que podem gerar poluição do solo, da água e do ar, o lixo pode desencadear enchentes pela obstrução da passagem das águas e transmissão de doenças.

Onde acumulam lixo e água se propagam epidemias como dengue, zika, chikungunya, cólera, filariose, leishmaniose, leptospirose, toxoplasmose, peste bubônica entre outras, enfatizou o infectologista Nelson Barbosa.

O morador Adilerson da Silva, 32, vizinho de Fátima, também confirmou que o caso se repete todos os anos e os moradores sofrem tanto na cheia quanto com os efeitos da vazante. “O inverno Amazônico é assim mesmo. No início a gente é castigado porque, às vezes, se alaga tudo e precisamos até deixar nossas casas, e quando está secando é por causa do lixo e o fedor. São tempos de muito sofrimento”, contou.

Doenças como a dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais com água parada, aumenta nesta época do ano. Foto: Semulsp

Falta de consciência

Na opinião de Fátima Corrêa, o problema é antigo e a população precisa se conscientizar. “Não adianta nada passar uma coleta retirando tudo, se o povo continuar com esse hábito triste de achar que os igarapés são lixeiras”, afirmou.

Para Fátima, deveria haver punição para quem descarta resíduos no leito dos rios e igarapés. “Uma coisa que tenho certeza é: as pessoas só aprendem se doer no bolso, se elas forem punidas de verdade, tenho certeza de que vai diminuir ou até acabar de vez”, disse.

Adilerson contou que diariamente os moradores se unem para recolher em pequenas canoas a sujeira na tentativa de reduzir o quadro vergonhoso. “A limpeza aqui também precisa melhorar, a Semulsp faz, mas é muito devagar e não é aquela coisa constante”, reclamou.

Para Raimundo Coutinho da Silva a vida para os moradores do rio Negro é dificil. Tem cobra, jacaré e doenças. Foto: Dulce Maria Rodriguez

Orla do Amarelinho: o rio é quem marca o ritmo

Uma das principais portas de entrada de Manaus por via fluvial é a orla do Amarelinho, localizada no bairro Educandos. 

É um aglomerado de casas de madeira, casas ribeirinhas ou flutuantes em condições sanitárias precaríssimas que contribuem com a poluição do rio Negro.

Para o vendedor de bombons Raimundo Coutinho da Silva, de 59 anos, que trabalha na Orla do Amarelinho todos os dias, nos flutuantes é onde moram seus clientes “gente-boa”, destaca.

São caboclos ou ribeirinhos que passam em canoas para fazer compras ou levar as crianças para a escola. “Aqui a vida é difícil e perigosa, quando enche tem jacaré, cobra e outros bichos. A gente fica doente.  Não dá para sossegar”, conta.

Segundo ele, essas casas flutuantes são como peixes. Morrem se ficarem fora d’água. Elas são construídas para suportar bem esse balanço que é constante e que aumenta quando cai uma tempestade ou passa um barco grande.

“E em cima delas, as famílias vivem por anos, ninguém sai do lugar”, contou.

Casas flutuantes na orla do Amarelinho, bairro Educandos, zona sul de Manaus. Foto: Dulce Maria Rodriguez

Manaus é uma cidade entranhada pelo rio Negro, com cerca de 150 igarapés poluídos e famílias morando à sua margem.

Importância da conservação da Bacia Amazônica 

O rio Amazonas, que é o maior e mais volumoso rio do mundo, resultado do encontro dos rios Negro e Solimões, leva cerca de um quinto de todo o volume de água doce aos oceanos e é responsável por 20% da água potável do planeta.

Por isso, segundo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a degradação ambiental compromete a disponibilidade de água doce no mundo. Afinal, a falta de preservação desequilibra o volume de chuvas, reduz o nível de água em rios e seca nascentes.

Conforme a cientista Maria Teresa Fernandez Piedade, estudos realizados pelo Inpa apontam que, das últimas décadas para cá, as cheias e as secas estão cada vez mais intensas e severas naquela região. “Isso indica que as mudanças climáticas já podem estar se fazendo sentir nestes sistemas”, sugere.

Para Maria, os problemas da Amazônia não estão restritos à região norte do Brasil. “Se os rios secam, o transporte de grãos como a soja, que é exportada, pode ser comprometido, impactando a economia nacional. A seca nos rios também afeta a produção de energia elétrica em represas como Belo Monte. Se essas represas param, o Sul e o Sudeste podem enfrentar apagões”, lembra.

“A Amazônia tem um papel importante na redistribuição da umidade, não só no Brasil, mas na América Latina. Trata-se de um sistema de circulação regional”, destaca.

Segundo a cientista todos esses fatores combinados influenciam diretamente o aumento de gases causadores do efeito estufa na atmosfera, contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas e do aquecimento global.

A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo , drenando cerca de 1/5 de toda a água doce do planeta. Foto: divulgação

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