A precificação de carbono é um instrumento econômico criado para colocar um valor financeiro nas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Em vez de tratar a poluição como algo “invisível” ou sem custo, essa ferramenta transforma o carbono em um custo real, influenciando as escolhas de empresas e governos.
O ponto central está no preço do carbono: ao internalizar esse custo, setores produtivos passam a repensar investimentos, apostar em inovação e buscar alternativas mais sustentáveis.
Como destacam os especialistas Caroline Prolo e Shigueo Watanabe Jr., o preço é justamente o que induz a redução das emissões e acelera a descarbonização da economia.
Como funciona?
Existem duas formas principais de precificação de carbono:
1-Taxa de carbono: funciona como um imposto sobre cada tonelada de CO₂ emitida.
2-Mercado de carbono (ou sistema de comércio de emissões – ETS): cria um limite total para as emissões e permite a compra e venda de créditos, premiando quem emite menos.
Esse modelo de mercado é considerado mais custo-efetivo, pois garante que as reduções mais baratas e viáveis sejam feitas primeiro, preparando a economia para desafios maiores no futuro.
Panorama mundial
De acordo com o State and Trends of Carbon Pricing 2025, publicado pelo Banco Mundial:
-Economias que representam quase dois terços da produção global já adotaram instrumentos de precificação de carbono.
-28% das emissões globais estão cobertas por um sistema de taxa ou mercado de carbono.
-O preço médio do carbono praticamente dobrou em 10 anos: de USD 10 em 2015 para cerca de USD 19 em 2025.
-Na Europa, os valores já ultrapassaram EUR 60, chegando a picos de EUR 83 em 2025.
Apesar do avanço, os preços atuais ainda estão abaixo do necessário para promover transformações estruturais profundas na economia global.
No Brasil
1. Mercado Regulamentado Avança com o SBCE
Em dezembro de 2024, foi sancionada a Lei nº 15.042/2024, que institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), um mercado regulado de carbono no modelo cap-and-trade. Empresas que superarem seus limites de emissão deverão comprar cotas; aquelas que emitirem menos poderão vendê-las. O sistema prevê penalidades severas e envolve componentes como cotas de emissão (CBE) e certificados de redução ou remoção (CRVE)
2. Mercado Voluntário: Potencial e Crescimento
O Brasil responde atualmente por aproximadamente 12% da oferta global de créditos voluntários, um salto significativo frente aos 3% de 2019. A receita do mercado voluntário brasileiro deve crescer de US$ 62 milhões em 2023 para cerca de US$ 487 milhões em 2030.
3. Projetos de Crédito: Escala Estadual
O estado de Tocantins está planejando emitir até 50 milhões de créditos de carbono por meio de projetos de conservação florestal até 2030, com valor estimado em R$ 2,5 bilhões (US$ 430 milhões.
4. Desafios e Riscos Persistentes
Uma investigação da Reuters revelou que 24 dos 36 projetos voluntários analisados na Amazônia envolveram atores com histórico de crimes ambientais, evidenciando fragilidades na fiscalização e casos de greenwashing.
Ainda há necessidade de fortalecer a governança, transparência e integridade do mercado, com a previsão de integração de comunidades indígenas como geradoras de créditos e o uso do sistema como atrativo para investimentos ESG.
Ainda há barreiras para o fortalecimento desses mecanismos, como:
Excesso de créditos em alguns sistemas, devido a crises econômicas.
Incertezas regulatórias e geopolíticas.
Conflitos que desviam a prioridade de governos.
Por outro lado, a revisão das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e o processo do Global Stocktake (GST) estão criando bases para maior ambição climática. Isso significa que empresas e governos terão de se adaptar mais rápido, e quem investir em inovação, tecnologia e gestão de risco sairá na frente.
Por que importa para as empresas e para você?
Mais do que uma ferramenta ambiental, a precificação de carbono é uma estratégia econômica global. Para os negócios, significa repensar modelos de produção, adotar inovação tecnológica e alinhar investimentos ao futuro de uma economia de baixo carbono.
Para a sociedade, é um passo essencial para reduzir emissões, conter o aquecimento global e garantir um planeta mais saudável para as próximas gerações.
Fotos: Pexels
Com informação da Branding And Sales