Desigualdade climática: quando riqueza vira poluição

O 0,1% mais rico da população mundial emite, em apenas um dia, mais gases do efeito estufa do que metade das pessoas mais pobres do planeta.

Segundo o relatório “Saque Climático: como poucos poderosos estão levando o planeta ao colapso”, lançado pela Oxfam Internacional, um indivíduo entre os super-ricos libera, em média, 800 quilos de CO₂ por dia — 400 vezes mais que alguém do grupo de menor poder aquisitivo, cuja média é de apenas 2 quilos diários.

A pesquisa foi baseada nos cálculos do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) e mostra que, desde 1990, 89% do orçamento de carbono restante já foi consumido, colocando em risco a meta do Acordo de Paris, que busca conter o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Os ricos investem na poluição

O relatório aponta que os mais ricos não apenas consomem mais, como financiam diretamente as indústrias mais poluentes do planeta.
Cerca de 60% dos investimentos dessa elite estão ligados a setores de petróleo, gás e mineração, responsáveis por milhões de toneladas de emissões anuais.

O estudo estima que um bilionário médio produza 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano apenas através de seus investimentos financeiros — sem contar o impacto do seu consumo pessoal.

Influência nas decisões globais

Além de emitirem mais e investirem em setores poluentes, os super-ricos também exercem influência em espaços de poder.

Na COP29, realizada em 2024, no Azerbaijão, 1.773 representantes ligados às indústrias de carvão, petróleo e gás participaram das negociações climáticas — um número superior à média de delegados dos dez países mais vulneráveis às mudanças do clima.

“O poder e a riqueza desses grandes poluidores também estão presentes nos espaços onde o mundo tenta construir acordos para conter o aquecimento global”, destacou Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

Uma crise de desigualdade

O relatório conclui que a crise climática é também uma crise de desigualdade.Enquanto os mais ricos lucram com atividades que destroem o clima, a maioria da população mundial paga o preço com desastres ambientais, fome e deslocamentos forçados.

“Os indivíduos mais ricos do planeta financiam e lucram com a destruição do clima, enquanto a maioria paga o preço das consequências fatais do seu poder sem controle”, afirma Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.

O que precisa mudar

Para reduzir os impactos da desigualdade climática, a Oxfam propõe medidas como:
– Taxação de grandes fortunas e emissões de carbono;
Limitação da influência de super-ricos nas decisões políticas globais;
– Distribuição mais justa dos recursos climáticos;
– Fortalecimento da sociedade civil e dos povos tradicionais.

“Quem mais causa os efeitos das mudanças climáticas deve ser o primeiro a agir para enfrentá-los”, reforça Viviana Santiago.

Com informação da Oxfam Internacional e Agência Brasil.

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