COP30: Pesquisadores pedem planejamento e infraestrutura contra desastres climáticos

A COP30, que será realizada em Belém, está marcada por um tom de urgência. Pesquisadores e líderes internacionais alertam que o mundo precisa agir agora para conter os efeitos devastadores das mudanças climáticas, como o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu no Paraná recentemente — um sinal claro de que o clima extremo já é uma realidade no Brasil.

A especialista Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa e membro do Conselho da Presidência da COP sobre cidades e clima, destacou que não basta apenas emitir alertas meteorológicos. É necessário preparar as comunidades e as infraestruturas para resistir a fenômenos severos.

“Não vai bastar só avisar que um tornado está vindo. As casas precisam estar preparadas para sustentar um fenômeno como esse, e as pessoas precisam ter condições de se proteger. Isso requer planejamento público e investimento em infraestrutura. É a única forma de garantir segurança e resiliência”, afirmou Unterstell.

O secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, reforçou em entrevista ao Jornal Nacional que o episódio no Paraná é um lembrete dramático da urgência de medidas efetivas. Segundo ele, cada evento extremo é um aviso de que o tempo de esperar acabou.

Um chamado à ação global

Em uma nova carta aberta à comunidade internacional, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reforçou o apelo por cooperação e ação imediata.

“Devemos escolher: permitir que a inércia nos conduza ao colapso ou unir-nos, com coragem e cooperação, para conduzir o mundo ao avanço”, diz o documento.

A carta destaca que o aquecimento global pode ultrapassar 1,5°C — um ponto crítico que colocaria a humanidade em uma “zona de perigo”, com transformações climáticas irreversíveis.

Tornado destruiu 90% de Rio Bonito do Iguaçu, Paraná. Foto: Reprodução/Vídeo

Entre as medidas de resposta rápida, o texto aponta:

1- Redução do metano, um dos gases de efeito estufa mais potentes;

2-Restauração de florestas e ecossistemas, que ajudam a absorver carbono e proteger a biodiversidade;

3- Fim do desmatamento, essencial para estabilizar o clima e preservar os recursos naturais.

Essas ações, segundo o embaixador, funcionariam como “freios de emergência” para desacelerar o aquecimento global nesta década crítica.

Soluções existem — falta torná-las acessíveis

Para Corrêa do Lago, o grande desafio não é mais tecnológico, mas financeiro e político:

“O mundo já tem soluções para adaptação. O que falta são recursos. Temos tecnologias, informações de alerta precoce via satélite, mas isso precisa chegar até as populações mais vulneráveis”, afirmou.

A COP30 deve, portanto, ir além dos discursos e buscar compromissos concretos entre países, empresas e sociedade civil para financiar e implementar essas soluções — especialmente nos territórios mais expostos, como o Brasil.

Apesar dos desafios, há motivos para esperança. A mobilização global pela adaptação climática vem crescendo, e cidades brasileiras começam a investir em planos de resiliência urbana, reflorestamento e energia limpa.

A COP30 será uma oportunidade histórica para mostrar que o Brasil pode liderar pelo exemplo, conciliando desenvolvimento com sustentabilidade e proteção das pessoas frente aos novos riscos climáticos.

Porque agir agora é garantir um futuro mais seguro, verde e solidário para todo

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